O que acontece com a nossa respiração quando estamos no celular?

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Entenda como o uso do celular altera sua respiração, aumenta a ansiedade e veja exercícios práticos para regular o corpo e a mente.

Por quanto tempo você consegue prender a respiração? Provavelmente menos do que imagina, mas, ao longo do dia, você pode estar fazendo exatamente isso enquanto responde mensagens, escreve um e-mail ou rola o feed. Esse padrão tem até nome: “apneia de tela”, termo criado por Linda Stone depois que percebeu que inspirava em antecipação e simplesmente não soltava o ar diante da enxurrada de e-mails.

Quando ela começou a observar outras pessoas, viu que a maioria fazia algo parecido: respiração curta, superficial ou pequenas pausas involuntárias enquanto estava concentrada na tela. Some a isso postura curvada, abdômen comprimido e um cérebro em estado constante de alerta, e o resultado é um corpo respirando como se estivesse diante de uma ameaça, mesmo estando só sentado no sofá.

Respiração curta envia sinais de estresse para o cérebro, aumenta tensão, pode piorar foco e deixar aquela sensação de cansaço mental no fim do dia. O curioso é que muita gente nem percebe, porque respirar é automático e nossa atenção está sempre voltada para fora, nunca para dentro.

A boa notícia é que isso pode ser ajustado.

O cérebro entra em alerta, e o corpo acompanha

o inclinar o corpo para frente, com o pescoço projetado e o abdômen comprimido, a expansão natural da barriga fica limitada. A respiração deixa de ser profunda e passa a ser curta, alta no peito. Às vezes, ela simplesmente para por alguns segundos.

E respiração superficial envia sinais de estresse para o cérebro. Quanto mais curto o ciclo respiratório, mais o sistema nervoso interpreta que há algo errado. Isso pode aumentar tensão muscular, irritabilidade, dificuldade de foco e sensação de cansaço ao final do dia.

É um ciclo silencioso: estímulo constante gera alerta, alerta altera a respiração, respiração altera o estado emocional, e o estado emocional retroalimenta o alerta.

Por que quase ninguém percebe?

Porque respirar é automático. E porque estamos treinados a prestar atenção na tela, não no corpo.

James Nestor, jornalista que pesquisou profundamente o tema da respiração, explica que ao longo dos anos fomos perdendo o contato com o padrão natural de respirar. Postura curvada, excesso de tempo sentados, respiração pela boca e falta de consciência corporal vão consolidando um hábito que parece normal, mas não é eficiente.

O curioso é que, no estudo informal conduzido por Linda Stone, as pessoas que não apresentavam “apneia de tela” eram aquelas treinadas a integrar corpo e atenção, como músicos, dançarinos ou atletas. Pessoas que aprenderam a respirar enquanto executam tarefas cognitivas.

Respirar bem não é um detalhe, é uma habilidade ser desenvolvida

O que dá para fazer na prática?

Não é realista abandonar telas, o ponto é reaprender a respirar enquanto usamos.

  1. Ficar consciente da própria respiração

Algumas vezes ao dia, especialmente enquanto estiver no celular, observe sem julgamento:

Você está prendendo o ar enquanto digita? Está respirando pela boca? Está respirando curto e só no peito?

Se perceber qualquer um desses padrões, faça um pequeno reinício: algumas respirações profundas pelo nariz, soltando o ar devagar. Só isso já começa a reorganizar o sistema nervoso.

2. Observar como bebês e cachorros respiram

Pode parecer simples demais, mas é didático. Bebês e cães respiram de forma profunda, com expansão suave da barriga, ritmo lento e pelo nariz. O abdômen sobe e desce naturalmente. A proposta é relembrar esse padrão básico que o corpo já conhece, mas que foi sendo perdido com postura ruim, tensão e excesso de estímulo.

3. Aprender um instrumento ou praticar dança

Linda Stone percebeu que aprender música e fazer dança de salão melhorou sua postura e sua respiração. Atividades que exigem coordenação entre corpo e atenção ajudam a integrar respiração e foco, o que faz diferença inclusive quando você volta para tarefas cognitivas, como trabalhar no computador. Corpo e mente não funcionam separados. Treinar um ajuda o outro.

4. Fazer pausas frequentes

Pequenos intervalos para se afastar da tela e respirar profundamente ajudam a regular o sistema nervoso. Levantar, alongar, abrir o peito, permitir que o abdômen se mova livremente já muda o padrão respiratório.

Essas pausas têm impacto tanto na saúde mental quanto física, no curto e no longo prazo.

5. Usar aplicativos de respiração

Alguns aplicativos emitem sons suaves que orientam o ritmo de inspirar e expirar enquanto você trabalha. Com repetição, o corpo começa a acompanhar esse ritmo de forma mais automática, mesmo quando a atenção está na tela. É como um metrônomo para o seu sistema nervoso.

6. Praticar um exercício simples

Um exercício sugerido é direto:

Inspire pelo nariz por 5 ou 6 segundos. Expire pelo nariz por 5 ou 6 segundos.

Ao inspirar, sinta a barriga expandir primeiro e depois o ar subir até o peito. Essa é a chamada respiração em três partes. No começo, exige atenção. Depois, com prática, o corpo aprende o caminho e passa a fazer com menos esforço consciente.

A questão não é demonizar o celular, porque ele faz parte da vida. O ponto é entender que, enquanto você está digitando, tocando e rolando a tela, seu corpo está reagindo.E talvez o ajuste mais simples que você possa fazer hoje não seja reduzir o tempo de tela, mas perceber se você está, de fato, respirando enquanto usa.

Na Ser Bene, a gente trabalha isso de forma guiada. Toda semana tem aula de meditação ao vivo, com orientação prática para você aprender a perceber sua respiração, regular o sistema nervoso e criar esse espaço interno de pausa no meio da rotina. Não como algo místico ou distante da realidade, mas como ferramenta concreta para viver melhor, pensar com mais calma e reagir com mais consciência.

Porque, antes de qualquer meta, hábito ou produtividade, vem o básico: estar presente no próprio corpo. E isso começa com uma coisa simples, que você já faz desde que nasceu que é respirar.

Foto de Dani Quartezani

Dani Quartezani

Danielle Quartezani escreve desde os oito anos e, desde então, nunca mais deixou de transformar o que sente em palavras. Encontrou na escrita e na psicoeducação um caminho para compreender a si mesma e ao mundo. Hoje é uma das fundadoras da Ser Bene e segue acreditando que escrever é, antes de tudo, uma forma de cura.

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