Novembro é o mês da Consciência Negra: um otimo momento para ampliar o olhar e reconhecer as vozes que moldam nossa literatura. Autores negros têm ocupado com força e sensibilidade os espaços da escrita, transformando suas vivências em obras que atravessam o tempo e as páginas. São histórias que falam de amor, ancestralidade, resistência e humanidade.
Reunimos aqui oito nomes que merecem um lugar na sua estante e no seu repertório de mundo.

Ensaios de Despedida de Elisama Santos
Na série “livros que poderiam ser sessões de terapia”, Elisama nos apresenta Cristina, que, após vinte anos de casamento, começa a escrever sobre seu cotidiano, registrando seu dia a dia e seus pensamentos mais secretos para que a filha entenda os motivos que a fizeram deixar o lar.

Virginia Mordida – Jeovanna Vieira
Ao retratar um relacionamento abusivo marcado pela violência psicológica, Jeovanna Vieira apresenta a personagem Virgínia, uma carioca convicta radicada em São Paulo que trabalha como advogada. Nas noites paulistanas, a protagonista conhece Henrí, um ator argentino. Juntos, eles iniciam uma relação intensa, mas marcada por diferenças de cultura, gênero e raça. Em uma reflexão sobre a capacidade de infligir dor em nome do amor, a obra destaca o poder do resgate, mesmo quando falta coragem.

O avesso da pele – Jeferson Tenório
O avesso da pele conta a história de Pedro, que, após a morte do pai, assassinado numa desastrosa abordagem policial, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos. Com uma narrativa sensível e, por vezes, brutal, Jeferson Tenório traz à superfície um país marcado pelo racismo e por um sistema educacional falido, e um denso relato sobre as relações entre pais e filhos.

Tudo sobre o amor – Bell Hooks
Como descrever o amor? bell hooks se presta a falar sobre isso em Tudo sobre o amor, o primeiro livro da Trilogia do Amor. Nesta construção sobre as origens do sentimento, hooks debate igualdade e justiça, e defende que o amor é muito mais do que um mero sentimento: é um caminho, se não o único, para o bem-estar coletivo.

Olhos D’agua – conceição evaristo
Neste livro de contos, as mulheres são protagonistas de uma escrita fictícia com um pé na realidade. De forma muito direta, Conceição fala sobre a pobreza e a violência urbana e descreve abertamente a dura realidade da comunidade afro-brasileira.

Torto Arado – Itamar Viera Junior
Ambientado no sertão baiano, Torto Arado acompanha a história das irmãs Bibiana e Belonísia, que vivem em uma comunidade marcada pela ancestralidade, pelo trabalho rural e pelas cicatrizes deixadas pela escravidão.

Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves
Um defeito de cor é uma epopeia de mais que narra a trajetória de Kehinde, uma mulher africana raptada ainda criança e trazida ao Brasil como escravizada. Através de cartas, ela reconstrói sua vida, da perda à resistência, da dor à liberdade, revelando as camadas profundas da sua história entrelaçada a do Brasil.

Amoras – Emicida
Inspirado em uma canção de mesmo nome, Amoras é um livro infantil que celebra a identidade negra, o amor próprio e o poder do reconhecimento. Com delicadeza, Emicida conversa com as crianças sobre orgulho, ancestralidade e beleza, mostrando que todas as cores, cabelos e histórias merecem ser vistas com admiração.